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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A voz de Deus

Um vocal agradável interroga: "Será que isso é amor? Eu sei que é..." e me lança lá no passado proporcionando um misto de felicidade e melancolia tão bom quando a música, mas também deixa uma sensação esquisita, daquelas que você sabe que é dor mas não sabe porque dói (isso é Fernando Pessoa?), só sente.

Sei que não que não existe nada que eu possa fazer que faça Deus me amar mais do que Ele me ama, e nada do que eu tenha feito o fará me amar menos, mas essa música me dá a sensação de ser mais amado por Ele.

...E a dor!? Sei lá, devem ser meus pecados, o que muito duvido.

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Desconexa Simetria

Assisto ao filme “O curioso caso de Benjamin Buttom” com a vida começando na velhice (pensei em escrever no fim), e é estranha a perspectiva...e a vida continua pra diante. Rio sozinho ao lê uma fachada de uma lanchonete com nome bizarro de “Lanchonete Vencendo em Cristo”,(tô esperando minha câmera chegar pra ir lá fazer umas fotos), mas nada demais, existe também o “Jesus Cola”. Leio o Ricardo Gondim e descubro que ele anda repetitivo, porém com uma sinceridade avassaladora. Descubro que, com a chegada do Velox em Valença, meu emprego ficou comprometidíssimo, no entanto, abriu uma nova oportunidade de ganhar “um” por fora.

Digito este texto no BrOffice Writer como uma forma de estudar para o concurso do TJ no próximo dia 06/09. O Miskoo diz que tô reclamando da vida porque eu disse que ela é dura e que eu deveria agradecer a Deus. Quem disse que não agradeço!. Nessa mesma conversa, com minha mania de filosofar, soltei a pérola: “na vida há mais barreiras do que sendas livres”, arre!

Pois é, o tempo é voraz. Nos dar a falsa sensação de que, apresando as coisas, podemos galgar resultados. Ledo engano. O curso natural é inviolável.

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sábado, 16 de maio de 2009

Mentiras com meias verdades, ou verdades com meias mentiras?

Já ouvi muitas verdades que me tiraram o chão. Já falei muitas verdades que, de tão ásperas, quase não me sai da boca. Já fiquei aliviado por falar a verdade e já lamentei ter-la dito sem mensurar as conseqüências. Do contrário também já vivi. Comi o pão que o Diabo amassou por causa da mentira, não só partindo de mim, mas também sendo vítima.

Porém, o que mais me incomoda não são as verdades nem as mentiras, porque se há ocasiões em que a primeira dói a segunda não vai fugir dessa regra. O meu incômodo é a incerteza, a dúvida, a lacuna aberta para questionamentos das verdades ditas com maquiagem, a omissão dos fatos que fazem da verdade camuflada verdade verdadeira. É o que poderia chamar de mentira com cara de verdade, pois não deixe de ser mentira.

Quando uma mentira nos ameaça e resolvemos falar a verdade, optamos fazê-lo de uma forma adequada à verdade predominante ou socialmente aceita. É o que Friedrich Nietzche descreve como Verdade do Rebanho (grifo meu). “O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho.”

A verdade dita com máscaras a torna mais cruel do que a mentira pura, pois carrega em si o projeto de “limpar” a imagem do mentiroso e enganar a quem ou de onde parte a ameaça de exclusão. Mentir puro e simplesmente pode não ser enganar, mas proteger (fio da navalha), enquanto que maquiar a verdade, nunca, em hipótese nenhuma será para o bem de ninguém senão de si próprio.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Não gosto de política e pronto!

Não adiante, eu não consigo gostar de política, não aceito a forma vil com que ela é feita no Brasil, as vultosas cifras gastas em cada campanha, me causa asco, as manobras macabras feitas por baixo dos panos para enganar o povo, são vergonhosas.

No meu niilismo político, chego a imaginar que eles riem da nossa cara. Não vislumbro nada de sério nas reuniões formais dos políticos, pelo menos nas que o povo seja o foco, porque as tramóias que eles impetram, são sérias sim. Imagina que obras são desviadas unicamente para que quem conseguiu não ganhe o louros do feito e popularidade. Traduzindo: “o povo que se dane”.

Aliás, os feitos dos políticos, mesmo que beneficiem a todos, se constitui em derrota para aqueles que estão do outro lado do páreo, pois a façanha de conseguir algo para a comunidade provavelmente fará com que a população olhe para o autor com mais simpatia, e isso adversário político nenhum quer, mesmo a comunidade saindo penalizada. Aí eu pergunto: Dá pra levar política no Brasil a sério?

Quase todos os políticos usam as obras que têm que ser construídas para o povo, em benefício próprio, seja para conseguir votos, seja para humilhar seus adversários. São raros os que conseguem recursos, obras e qualquer outro serviço intentando o bem geral.

Sabe aquela expressão que diz “de boas intenções o infernos está cheio”? Pois é, não consigo desconectar ela de política partidária no Brasil. O pior é que não enxergo nada que possa mudar isso.

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sábado, 25 de abril de 2009

Futebol, contingência e o Divino

Sou torcedor não fanático, mas devoto, do maior e melhor time do Brasil, o Corinthians. Dedico ao Timão alguns superlativos: eficientíssimo, grandessíssimo, gloriosíssimo. Não há como negar, o meu clube é tão especial que nem os lugares-comuns distoam: “a única esquadra que não tem torcida, mas uma nação”; “exemplo de desorganização que sempre dá certo”; “quem melhor representa o espírito maloqueiro nacional”; “encarnação de perseverança e fidelidade”; “não somos uma arquibancada, mas os Gaviões da Fiel”.

Futebol tem poucas regras, não requer equipamentos sofisticados (os pobres fazem bolas estofando meias velhas) e pode ser jogado em qualquer terreno. Em seus primórdios, era tão sofisticado quanto o golfe nos dias atuais; no Brasil, apelidaram-no de futebol society porque atraia a burguesia. Hoje, mexe com o povão. Mas o que existe nele que nos enferma de paixão? Qual a mágica do jogo para extasiar multidões, de intelectuais a analfabetos?

Simples! Imprevisibilidade. No futebol, só se conhece o resultado de uma partida depois que o juiz apita o fim. A qualquer instante o impensável pode acontecer. E nem sempre o mais forte ganha. A famosa zebra existe, e vez por outra arruína com os prognósticos mais precisos. Quando duas equipes entram em campo, uma displicência pode alterar definitivamente o placar final. Se logo no início, o mais fraco marcar um gol, basta que fique na retranca, e por mais que o adversário tente não consegue reverter o escore.

Onde fica a relação do futebol com Deus? Na questão da imprevisibilidade. Deus tem ou não tudo sob controle? Se tem, o campeonato estadual, a qualificação para a próxima Copa do Mundo e o capitão que vai erguer o Caneco estão sob seu absoluto domínio. Acontece que ninguém de sã consciência concebe que oração, mandinga, sinal da cruz e despacho em encruzilhada sejam eficazes para direcionar o que acontece dentro das quatro linhas do relvado (se macumba ganhasse campeonato, o da Bahia terminaria empatado).

Exatamente! O magnífico do futebol são os acidentes de percurso. Em filosofia, acidente de percurso chama-se contingência. Contingência, portanto, é aquilo que é ou pode ser, mas não é necessário. Em outras palavras, não existe causa ou razão para que determinado evento aconteça. Um gol do Corinthians aos 48 minutos do segundo tempo, que o classificou para a final pode ter sido apenas um acaso. E nenhuma divindade, por mais poderosa e soberana que seja, necessita ser reivindicada para explicar o golaço – motivo da alegria para uma Nação, mas de infelicidade para os adversários.

Basta que se mantenha a lógica. Se em uma trivialidade, como a vitória de um time, não cabe reivindicar o controle divino, porque em outras, sim?

Não existe meio termo. Contingência esvazia a possibilidade de destino, maktube, predestinação, carma ou soberania. O contrário também é verdadeiro. Quando se aceita que Deus ordena todas as coisas e usa os acontecimentos para conduzir a história a um fim predeterminado, não existe contingência, acidente, acaso ou sorte.

Restam algumas perguntas: Os ganhadores das loterias cumprem algum propósito eterno? O médico incompetente que deixou a mulher tetraplégica agiu com o consentimento de Deus, para o seu bem? O obscuro jogador, que será guindado ao estrelato com a arrancada que fez a bola beijar o filó nos últimos segundo do jogo, foi auxiliado por um anjo?

Algumas pessoas confessam o absoluto controle de Deus e ficam zangados com quem questiona suas afirmações. Não se deve discutir religião, política e futebol, apenas perguntar se tais lógicas valem para todas as esferas da vida, inclusive, as triviais.

Acredito que vivemos em um mundo contingente. Aceito que liberdade só é possível quando há acaso. Assim, não atribuo os acontecimentos que me rodeiam à vontade de Deus. Não acho que Deus, lá de cima, micro-gerencie a terra, semelhante a um títere onipotente. Discordo que Ele diga: “Isso eu deixo acontecer, porque me interessa” (vontade permissiva, no teologuês); ou: “Isso eu quero - ou não quero - que aconteça porque será importante para os meus planos – (vontade ativa).

Creio que Deus se relaciona com os seus filhos e filhas a partir de outra conexão. Para que seja possível aos humanos criar, inventar, escrever poesia, aprender a praticar justiça, é necessário que Ele consinta com a liberdade. O Deus creator convida a humanidade para ser parceira na construção da história. Javé não brinca de “faz-de-conta”.

Quando sofremos, Deus sofre. Quando nos alegramos, Deus rejubila ao nosso lado. Quando guerreamos e milhões morrem desnecessariamente, Deus perde. Quando somos bons, solidários e justos, Deus ganha.

Na próxima vitória do Corinthians, Deus vai pular de alegria comigo; sem desprezar as lágrimas dos sãopaulinos, palmeirenses e santistas.

Soli Deo Gloria


Ricardo Gondim

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O deus que não é Deus

Existe um deus que não é Deus. O único com força para enfrentar a Deus. Essse deus não vive em alguma dimensão cósmica ou ponto do universo. Seu oratório é a mente humana. Ele é um deus familiar, pois vive nos espelhos da alma humana. Mesquinho, cobra desempenhos impossíveis. Inclemente, castiga as inadequações dos fracos com fúria. Ofendido por uma pessoa, dizima gerações inteiras. Imprevisível, age com um humor indetectável.

Existe um deus que não é Deus. Capaz de ofuscar o próprio Deus, misturou-se em todas as religiões. Sanguinário, exige sacrifício para estender a sua compaixão. Impassivo, privilegia os eleitos e condena o resto. Indiferente, descarta a prece da criança quando não se encaixa em seus propósitos. Distante, volta as costas para os miseráveis em nome da coerência.

Existe um deus que não é Deus. É possível encontrá-lo nos paços sacerdotais, nas leis canônicas, nas teologias que o sistematizaram. Ele vingou na religião e a cúrias já mapearam as suas ações. Sem bondade, ele defende a virtude. Sem graça, faz apologia da verdade. Os cristão sabem que ele existe; já provaram o fel de sua justiça na Inquisição. O homem-bomba de hoje testemunha o seu furor para os muçulmanos. Ele aparece em cada campanha de oração pentecostal para mostrar como é difícil ganhar o seu favor.

Existe um deus que não é Deus. Ele é uma divindade que não suporta ver Jesus almoçando com pecadores, bebendo vinho perto de mulheres suspeitas, elogiando pagãos ou prometendo o Paraíso para gatunos. Esse deus precisa desaparecer, pois é um ídolo malvado. E só com a sua morte nascerá o Salvador.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Samaritanos

Suponhamos que não fosse apenas um homem que ia de Jericó a Jerusalém, mas que fossem dois, e ambos assaltados por bandidos e muito mutilados, e que não passasse nenhum viajante por lá. Suponhamos ainda que um deles nada conseguisse fazer além de lamentar-se, enquanto que o outro esquecia e superava seu próprio sofrimento para pronunciar palavras amigas, de reconforto, ou ainda se arrastar ao preço de grandes dores até uma pequena fonte de onde ele trouxesse um pouco de água para proporcionar ao seu companheiro um refresco; ou suponhamos ainda que ambos ficassem sem condições de falar, mas um deles em sua oração muda clamasse a Deus também pelo outro: ele não teria sido então misericordioso? Se me cortam as mãos, não posso tocar cítara, e se me cortam as pernas, não posso dançar; se estou estendido e estropiado na margem, não posso jogar-me ao mar e salvar a vida de uma pessoa; e se estou no chão, braços e pernas quebrados, não posso me precipitar nas chamas para salvar a vida de outros: porém, eu posso ser misericordioso de qualquer maneira.

Misericórdia: uma obra do amor mesmo quando ela não pode dar nada e nem consegue fazer nada. Capítulo integrante do livro "As obras do amor", de Sören Kierkegaard.

Nesse mundão pertuba de hj, simples palavras, às vezes, calam profundo

Fonte:Pavablog

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Fim de ano, Angústia e Ansiedade

É quase que uma coisa imposta pela época. Uma enxurrada de “e se´s”, num rigor autônomo, se apodera das nossas mentes no final de cada ano e lá se vão doze meses de auto-avaliação, auto-crítica e auto-reprovação.

Talvez pela voracidade do tempo, quase sempre chegamos ao fim do ano com a sensação esquisita de que poderíamos ter aproveitado mais, afinal foram 365 dias, 8.670 horas que tivemos para colocar em prática os planos de início de ano. E pensar nesse tempo sem as concretizações almejadas, acaba por suplantar os poucos e, talvez significativos, sucessos que tivemos durante o ano.

Porém, os “e se´s” que povoam nossas cabeças é que trariam os resultados satisfatórios, justamente aquilo que deixamos de fazer, por isso esse misto de ansiedade e angústia peculiar de fim de ano. Ansiedade pela chegada dos 365 dias, as 8.670 horas que teremos para acertar. Angústia pelo passado e inexorável tempo que tivemos. São os dez últimos dias do ano, a época standby do homem.

Sofremos ante a impotência de não mudar os escorregões, desdizer o já dito, desfazer o (mal) feito... Frases do tipo “esse ano será o melhor ano da minha vida” são nos empurradas de goela a baixo pelo desdenho que fazemos do tempo e aí lamentamos: “o ano (tempo) passou e eu não fiz nada”, mesmo tendo feito um bocado de coisa, inclusive acertado, não obstante os erros.

Mas, como tudo isso não passa de uma sensação esquisita de que poderíamos ter aproveitado mais, vamos comemorar a chegada de mais um ano (ou o término do outro, é igual), vai ver, esse foi o melhor ano de nossas vidas (que escatológico!) afinal as previsões não são nada boas: aquecimento global, economia mundial em ruínas, escassez de água. Enfim, teremos um futuro agitado.

Só espero não chegar ao final de 2009 com tantos “e se´s” me martirizando.

Ah, em 2009 quero passar num concurso público, eu e muita gente.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Vítimas do descaso

Homem é atropelado e morto em rua sem redutor de velocidade em Valença

Desde que foi feito o recapeamento asfáltico das ruas Cinéas Veloso e Eurípedes Martins que se fala em construção de redutores de velocidade, inclusive pedido pelos vereadores, para coibir o abuso de velocidade nessas ruas.

Ontem, (10) dois acidentes foram registrados nas referidas ruas. Pela manhã uma pessoa foi atropelada por uma moto na Rua Eurípedes Martins, em frente ao colégio Cônego Acilino. A pessoa teve a perna quebrada no acidente.

Já à noite, na Rua Cinéas Veloso, próximo ao Abrigo Central, o senhor Joaquim Ferreira da Silva foi atropelado por uma moto. Nesse caso, as conseqüências foram mais graves, o senhor Joaquim não resistiu aos ferimentos e faleceu.

No último dia 08 foi divulgado uma matéria no AlencarNet ressaltando a preocupação dos pais de famílias e autoridades quanto aos crescentes casos de acidentes em Valença, sobretudo envolvendo motos. Na matéria consta um trecho de um discurso do vereador Joaquim Filho em que ele diz “que as autoridades só irão tomar providência quando alguém importante morrer”.

Lamentável considerar importante apenas a vida de “alguém importante”. Seria o caso de “chorar o leite derramado” ou apenas postergar uma ação que compete aos que estão caçando responsáveis?

A impressão que fica é que as autoridades não têm consciência do papel que a elas foi dado. Já se passaram três meses do término do recapeamento asfáltico dessas ruas e ninguém se preocupou em dotá-las de infra-estrutura necessária para segurança dos transeuntes. Vieram empurrando com a barriga, se esquivando de suas responsabilidades, imputando a outrem os deveres que são seus.

Se preocuparam tanto em criticar a qualidade do asfalto, com o intuito de denegrir quem fez, por que fez com o objetivo de angariar votos, diga-se de passagem, que se esqueceram que a obra seria usadas por pessoas, por vidas e por isso teria que ser tratado como tal, não como foi feito, sem planejamento e sem responsabilidade. Aliás, será que esse “gênio” que projetou essa obra pensou nas conseqüências de uma ruas asfaltada sem nenhum tipo de coibição de velocidade? O tempo de execução foi recorde: dois dias, e a população já havia recebido a obra “concluída”.

E agora, que uma vida, que pode não ser “alguém importante” para as autoridades, foi ceifada, será que ainda vão continuar com os discursos bobos e demagogos ou alguma providência será tomada?

Quero, daqui a alguns dias, postar umas fotos nesse blog dos operários trabalhando na colocação de redutores de velocidade nas ruas recapeadas com a manchete: “FOI PRECISO MORRER ALGUÉM PARA SER TOMADA PROVIDÊNCIA”.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Me chamem de Cristão

Não quero parecer melhor que os outros, mas quando me perguntam sobre minha fé e se sou evangélico digo que prefiro que me chamem de cristão. Pronto, só isso, e isso é tudo.

As razões são várias. Não acredito que recebemos de Deus nenhuma outorga para vociferarmos que somos mais merecedores do seu amor do que quem usa drogas, não compartilha da mesma filosofia religiosa, ou não freqüenta qualquer igreja e não vive com a Bíblia debaixo do braço condenando arte, cultura e costumes sem uma análise profundo ou racional do que está fazendo.

Não me sinto obrigado a viver com o dedo em riste apontando erros que sei que existem piores dentro das comunidades eclesiásticas. Não coaduno com máximas religiosas que servem de subterfúgios aos que querem ostentar uma conduta irrepreensível, do tipo: só se joga pedras em árvore que dar frutos, ou ai dos que tocarem num ungindo de Deus.

Não entendo Deus como um algoz esperando nossos erros para nos punir com os rigores dos quais somos merecedores. Pelo contrário, entendo, através da Bíblia, que Ele chora ao contemplar - nos indiferentes aos cuidados que nos dispensas. O que entendo ser lógico é que colhemos o que plantamos e isso nem espiritualizado pode ser, posto que é algo natural.

A comunidade religiosa perdeu o sentido pra mim quando vi eleições ou elevações de delitos, o que é uma disparidade dentro do cristianismo posto que o próprio Cristo falou vim para os que estão doentes não para os sãos. Assim sendo, ela perdeu inclusive o sentido conceitual e não oferece mais aquilo que a Bíblia chama de cuidar das viúvas e dos órfãos num sentido metafórico para aludir aos que carecem de cuidados.

Todos esses motivos não me impedem de vê que estou longe de ser o filho que Deus quer, mas que jamais serei o filho que os homens religiosos querem. Até porque não acredito nesses homens e corroboro com C.S.Lewis quando diz que de todos os homens maus, os homens maus religiosos são os piores, simplesmente por não vislumbrar sintonia entre o que vive e pregam muitos deles.

Acredito na comunidade de fé, mas não essa instaurada com hierarquia de santos com poder de julgar pecadores, pois aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra. Ainda creio numa comunidade (na acepção da palavra) que se ajuda mutuamente, porém sem rótulos e sem dogmas.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sem perdão não existe amanhã

[...]quem mais tem capacidade de amar, mais tem capacidade de ferir. A mão que afaga é aquela de quem ninguém se protege, e quando agride, causa dores na alma, pois toca o ponto mais profundo de nossas estruturas afetivas.

[..]poucos sofrimentos se comparam às dores próprias de relacionamentos afetivos feridos pela maldade e crueldade consciente ou inconsciente. Os males causados pelas pessoas que amamos e acreditamos que também nos amam são quase insuperáveis. O sofrimento resultado das fatalidades são acolhidos como vindos de forças cegas, aleatórias e inevitáveis.[...]

Poucas são minhas conclusões, mas enxerguei pelo menos três aspectos dessa infeliz realidade das dores do amar e ser amado. Primeiro, percebo que a consciência da mágoa e do ressentimento nos chega inesperada, de súbito, como que vindo pronta, completa, de algum lugar. Mas quando chega nos permite enxergar uma longa história de conflitos, mal entendidos, agressões veladas, palavras e comentários infelizes, atos e atitudes danosos, que foram minando a alegria da convivência, criando ambientes de estranhamento e tensões, e promovendo distâncias abissais. Quando nos percebemos longe das pessoas que amamos é que nos damos conta dos passos necessários para que a trilha do ressentimento fosse percorrida: um passo de cada vez, muitos deles pequenos e que na ocasião foram considerados irrelevantes, mas somados explicam as feridas profundas dos corações.

Outro aspecto das dores do amar e ser amado está no paradoxo das razões de cada uma das partes. Acostumados a pensar em termos da lógica cartesiana: 1 + 1 = 2 e B vem depois de A e antes de C, nos esquecemos que a vida não se encaixa nos padrões de causa e efeito do mundo das ciências exatas. Pessoas não são máquinas, emoções e sentimentos não são números, relacionamentos não são engrenagens. Imaginar que as relações afetivas podem ser enquadradas na simplicidade dos conceitos certo e errado, verdade e mentira, preto e branco é uma ingenuidade. A vida é zona cinzenta, pessoas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo, cada uma com sua razão, e a verdade de um pode ser a mentira do outro. Os sábios ensinam que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, e considerando que cada pessoa tem seu ponto, as cores de cada vista serão sempre ou quase sempre diferentes. Isso me leva ao terceiro aspecto.

Justamente porque as feridas dos corações resultam de uma longa história, lida de maneiras diferentes pelas pessoas envolvidas, o exercício de passar a limpo cada passo da jornada me parece inadequado para a reconciliação. Voltar no tempo para identificar os momentos cruciais da caminhada, o que é importante para um e para outro, fazer a análise das razões de cada um, buscar acordo, pedir e outorgar perdão ponto por ponto não me parece ser a melhor estratégia para a reaproximação dos corações e cura das almas.

Estou ciente das propostas terapêuticas, especialmente aquelas que sugerem a necessidade de re–significar a história e seus momentos específicos: voltar nos eventos traumáticos e dar a eles novos sentidos. Creio também na cura pela fala. Admito que a tomada de consciência e a possibilidade de uma nova consciência produzem libertações, ou, no mínimo, alívios, que de outra maneira dificilmente nos seriam possíveis. Mas por outro lado posso testemunhar quantas vezes já assisti esse filme, e o final não foi nada feliz. Minha conclusão é simples (espero que não simplória): o que faz a diferença para a experiência do perdão não é a qualidade do processo de fazer acordos a respeito dos fatos que determinaram o distanciamento, mas a atitude dos corações que buscam a reaproximação. Em outras palavras, uma coisa é olhar para o passado com a cabeça, cada um buscando convencer o outro de sua razão, e bem diferente é olhar para o outro com o coração amoroso, com o desejo verdadeiro do abraço perdido, independentemente de quem tem ou deixa de ter razão. Abraços criam espaço para acordos, mas acordos nem sempre terminam em abraços.

[...] primeiro abraça e depois discute o passado. Essa é a ordem certa. Primeiro, porque os abraços revelam a atitude dos corações, mais preocupados em se aproximar do que em fazer valer seus direitos e razões. Depois, porque, no colo do abraço o passado perde força e as possibilidades de alegrias no futuro da convivência restaurada esvaziam a importância das tristezas desse passado funesto.

Quando as pessoas decidem colocar suas mágoas sobre a mesa, devem saber que manuseiam nitroglicerina pura. As palavras explodem com muita facilidade, e podem causar mais destruição do que promover restauração. Não são poucos os que se atrevem a resolver conflitos, e no processo criam outros ainda maiores, aprofundam as feridas que tentavam curar, ou mesmo ferem novamente o que estava cicatrizado. Tudo depende do coração. O encontro é ao redor de pessoas ou de problemas? A intenção é a reconciliação entre as pessoas ou a busca de soluções para os problemas? Por exemplo, quando percebo que sua dívida para comigo afastou você de mim, vou ao seu encontro em busca do pagamento da dívida ou da reaproximação afetiva? Nem sempre as duas coisas são possíveis. Infelizmente, minha experiência mostra que a maioria das pessoas prefere o ressarcimento da dívida em detrimento do abraço, o que fatalmente resulta em morte: as pessoas morrem umas para as outras e, consequentemente, as relações morrem também. A razão é óbvia: dívidas de amor são impagáveis, e somente o perdão abre os horizontes para o futuro da comunhão. Ficar analisando o caderno onde as dívidas estão anotadas e discutindo o que é justo e injusto, quem prejudicou quem e quando, pode resultar em alguma reparação de justiça, mas isso é inútil – dívidas de amor são impagáveis.

Mas o perdão tem o dia seguinte. [...] Perdoar é diferente de relevar. Perdoar é afirmar o amor sobre a justiça, sem jamais sacrificar o que é justo. O perdão coloca as coisas no lugar. E nos capacita a conviver com algumas coisas que jamais voltarão ao lugar de onde não deveriam ter saído. Sem perdão não existe amanhã.

Ed René Kivitz

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O clamor de Darfur e do Congo

A televisão noticia a conquista do título mundial de Fórmula I por um inglês; os estatísticos se debruçam sobre os números da eleição presidencial dos Estados Unidos; o mercado acionário se prepara para mais uma semana especulativa enquanto o Congo agoniza.

Depois de Darfur, agora uma reminiscência do holocausto de Ruanda condena mulheres e crianças a fugirem de mais uma carnificina. Mas sem ter para onde ir, fogem para morrer de fome. Mais uma catástrofe humana; mais uma nódoa na breve e triste história do século XXI.

Não é possível continuar assim. O mundo caminha desequilibrado, penso, na beira do abismo. Não dá para entender a atitude global cínica, com tanto desdém, diante da morte estúpida e desnecessária de milhões.

Por que os ingleses não fazem alguma coisa, já que foram os maiores responsáveis pelo retalhamento político da África? Por que os Estados Unidos não pressionam as Nações Unidas? - eles souberam fazer isso quando precisaram invadir o Iraque. Por que a Suécia, que distribui Prêmios Nobel da paz, não convoca uma força tarefa para acabar com a mortandade de inocentes?

Sei lá... Eu não consigo mais assistir a mesa redonda que discute o lance polêmico do campeonato de futebol enquanto milhões de crianças me encaram desesperadas lá de Darfur e do Congo. Alguma coisa tem que ser feita, não sei como...mas tem que ser logo. Sinto-me impotente, mas desafiado. O que fazer?

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
(Castro Alves)

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Gatilho da Ausência

Existem tragédias súbitas e tragédias lentas, que se formam aos poucos.
Durante as 100 horas do cerco dava para ver os indícios de alguma coisa terrível que estava a caminho.
Era visível a movimentação lenta da polícia. Não era alerta, era burocrática, sem imaginação…
Dava para ver a falta de comando, sem um plano concreto de ação, os policiais enrolados por um jovem maluco…
Vimos momentos desperdiçados para a invasão: a fraqueza da madrugada, nenhuma tática de desorientação do criminoso…
E a tragédia foi crescendo… Não havia uma micro-câmera que numa janela, mostraria a porta bloqueada…Quando a refém libertada voltou, ficou claro que subestimavam o seqüestrador, como se fosse assunto de adolescentes em crise…
Até que a invasão se deu. Atrapalhada. Tardia. A escada da janela era curta e ninguém tinha visto…
Ai a bala saiu. Agora lançam a duvida. O tiro foi antes ou depois da invasão? Nas gravações existentes não se ouve tiro antes… Mas os policiais nao podem falar…
Esta bala nao foi deflagrada só pelo assassino. O que disparou esta bala foi também o gatilho da falta de dinheiro, da falta de treinamento, de equipamentos e da falta de inteligência.
Esta bala selou o último ato de mais uma evitável tragédia brasileira.

Por Arnaldo Jabor

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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Vendendo Almas ao Diabo


Numa relação de reciprocidade criminosa, embora corriqueira, eleitores e políticos parecem se completar a cada eleição. De um lado a necessidade, a miséria, do outro a ganância, o oportunismo desmedido dos políticos. Entendendo que não se pode ter dignidade quando a necessidade é maior que a moral, mas é difícil entender a desumanidade estampada nos atos sorrateiros desses pulhas do poder em se aproveitarem da indignidade de muitos pais e mães de famílias que se acham na obrigação de venderem seu voto, pois só poderem contar com os homens públicos em época de eleição.

Porém, o outro lado da moeda é que é ainda mais nojento. São os que se aproveitam dos políticos, esperam o período eleitoral chegar para arrancarem dos “necessitados de votos” algum benefício, sobretudo material de construção para a reforma da casa, do comércio e da igreja... Isso mesmo, IGREJA.

Que político não tem escrúpulos, tudo bem, estranho seria se tivesse, como o é quando aparece algum que apresenta apenas propostas, esse nem eleito é. Mas um pastor que sobe três ou quatro vezes por semana no seu púlpito para admoestar um grupo de pessoas, se valendo de uma moral irrepreensível, usa desse artifício vil, de colocar à venda a dignidade alheia, se torna imoral.

Pois muitos pastores evangélicos entregam não só a si, mas todo o “rebanho” nas mãos dos lobos em pele de cordeiros famintos por votos. Cegos, postam-se indiferentes ao plano de governo, não tomam conhecimento dos estragos que podem está causando à cidade ou ao estado, e num cinismo digno de um larápio diz: “irmãos, decidimos apoiar esse candidato, pois ele tem as melhores propostas e nos abençoou com piso da nossa igreja”.

Sabe aquela história de vender a alma ao Diabo para obter sucesso na carreira, comércio e etc., e o pagamento é passar a eternidade no inferno? Não vejo nenhum exagero nessa analogia.

Essa “simbiose” acontece todos os períodos eleitorais nos arraiás do Povo de Deus, e a minha pergunta é: até quando essas discrepâncias entre discurso e ação irão perdurar?

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sábado, 4 de outubro de 2008

A morte de Amanda Coutinho


Hoje li nos portais de notícias sobre uma jovem de 22 anos que caiu do 13º andar de um prédio em Teresina. Vou deixar assim mesmo, vago, porque não quero entrar em detalhes sobre o caso em si. Até porque as informações não são claras. Dizem que foi depressão decorrente de uma desilusão amorosa.

Pois é, foi isso o que mais me deixou triste com a morte de alguém que eu nem conheço, pra ser bem sincero, senti uma dor como se a conhecesse. Como quem procura resposta, vasculhei o Orkut dela...e vi o rosto de uma pessoa aparentemente feliz que a depressão matou (Partindo do pressuposto que seja verdadeira essa informação), mas não só isso, vi o poder destruidor que essa doença, tão silenciosa quanto trágica, tem.

Quantos de nós já não tivemos a mesma “idéia” que a Amanda Coutinho, vitimados pela depressão, achar que só há uma saída e ela é a morte?

Não me disponho a compreender o mecanismo da dor causada pela depressão, mas garanto que nem mesmo o mais fiel adepto do autoflagelo gostaria de passar. E é justamente nesse ponto que a morte aparece como saída. Nessa incapacidade quem temos de suportar as dores interiores, vindas da alma.

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sábado, 16 de agosto de 2008

Os "eus"


Às vezes sou tomado por uma vontade asfixiante de chorar, de devorar o monstro interior que devora meus bons sentimentos, que não me deixa perdoar o mal que me fizeram, que sabe maquinar vilezas, que não sabe olhar as pessoas como irmãs, próximas, aliadas.

Tem dias que me sinto um estranho no mundo, tentando sobreviver aos meus instintos selvagens que tanto reprovo, como não saber perdoar nem amar, ter a candura de uma criança na hora do julgamento, ser menos implacável, mais humano, porque me vejo comemorando os sofrimentos alheios, principalmente daqueles que um dia puxaram meu tapete.

Nos solilóquios que travam meus dois “eu”, o “eu” de que não gosto é sempre o vencedor. Sinto-me um apostolo Paulo numa guerra interior porque o bem que quero não faço, mas o mal que não quero isso faço.

Tem dias, como hoje, que gostaria de fugir e, num vale deserto, gritar meus dilemas, chorar minhas dores, orar sem rezar uma prece de perdão verdadeira a Deus sem repetir clichês.

Tem dias que me sinto tão frágil que o ombro do meu inimigo seria um lugar seguro, abraçá-lo, um bálsamo para os meus ossos.

Tem dias que eu queria o sentimento do Zeca Baleiro e dizer que hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, bater na porta do visinho e desejar bom dia e beijar o português da padaria.

Mas hoje eu estou com vontade de chorar...

Alisson Araújo

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

DE QUE SE TRATA A HIPOCRISIA?


Ranier Nunes

Segundo um dos muitos dicionários da língua portuguesa, a palavra "hipocrisia significa falsidade, fingimento"; esse tem se tornado até um tema áspero, grosseiro, pois às vezes é comum uns rotularem outros de hipócrita por não concordarem sobre determinados assuntos ou coisas do tipo, gerando com isso intrigas, contendas, inimizades.
Transferindo para questões mais profundas, a hipocrisia também está associada ao campo religioso. “O teólogo R.N.Chanplim discorreu algo interessante sobre a hipocrisia e o pecado:” Um homem pode atacar um pecado que vê na vida de outro, mas seu motivo real pode ser uma espécie de insatisfação íntima porque não obtém o prazer que aquele pecador deriva de seu pecado; ou pode ser uma espécie de inveja perversa ou frustração, porque gostaria de fazer o que tal pecador está fazendo, mas teme perder sua reputação”. (Coment.NT;Ed.Hagnos,2000).

Entendo que é nesse ponto em que se originam as cartilhas religiosas com suas proibições de pode ou não pode, pois certas delas têm muito a ver com esse lado obscuro do egoísmo humano de querer manipular massas (que o digam certos políticos), exercer domínio, controlar pessoas; pois além de roubar a liberdade, essa linha de liderar impede o ser humano de crescer, amadurecer, de usufruir da liberdade com responsabilidade; por isso a grande quantidade de pessoas religiosas que não conseguem tomar decisões, infantis na sua maneira de enxergar o mundo e a vida, que se acham amaldiçoadas de Deus e frustradas nas suas relações pessoais, afetivas, sociais. Quando adotamos uma postura de invulneráveis ao erro, ao pecado, quando fazemos comparações, quando nos classificamos como zelosos (essa é uma expressão muito usada no meio religioso), caímos no grave erro de estarmos sendo hipócritas nos nossos sentimentos e posicionamentos.

Jesus tratou isso de forma muito profunda com os religiosos do seu tempo quando em outras palavras no Sermão do Monte ele disse que esse tipo de igreja, de crença, de gente, que insiste em rotular, desclassificar, oprimir, julgar as pessoas está falido, pois essa não é a Espiritualidade do Reino, antes essa é prazerosa, leve, espontânea, amável no trato com o próximo, e acima de tudo libertadora em sua essência. Quando agimos contrário a isto, adotamos a hipocrisia que é aquela atitude de fingimento, falsidade e que no fundo tem uma série de conflitos e desvios na alma que precisam também de cura e que teimamos em esconder do grande público. Hipocrisia é isso, ou um pouco disso, portanto, fique á vontade para resolver esses conflitos da alma com você e acima de tudo com o Deus que a tudo vê.

Ótima contribuição do Ranier Nunes. O difícil é as pessoas ditas religiosas ou religiosas mesmo, se conscientizarem dos "podres" que têm.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A ÉTICA PROTESTANTE( EVANGÉLICA) E O CAPITALISMO

Ranier Nunes

Ao se pronunciar para uma grande multidão que o ouvia no conhecidíssimo Sermão da Montanha(Mt. 5-7), Jesus de Nazaré deixou bem claro que não devíamos andar ansiosos quanto ao comer, vestir-se e com os anos da nossa vida, porque, segundo Ele quem perde noites de sono pensando nisso são os pagãos. Mas, parece que com o advento do capitalismo, com a chegada da pós-modernidade e a revolução tecnológica e midiática, a mente das pessoas, e principalmente as "religiosas" vêm cedendo a lógica de mercado: quanto mais se ganha mais se quer,ou ainda: os fins justificam os meios. É interessante que o chamado povo de deus (com d minúsculo) está agindo totalmente de maneira contrária aos ensinos do Jesus dos Evangelhos, parece que a Bíblia como revelação de Deus aos homens não tem mais servido, o povo de deus está querendo ver milagres acontecerem para crer, e Jesus deixa explícito que quem adota essa linha de raciocínio são os pagãos, e para muita gente hoje, Jesus não é o Messias, o Salvador, mas um mero operador de milagres, pois o interesse maior do homem pós-moderno não é com a alma, mas com o bolso, com o material.

E dentro de muitos locais religiosos vive-se um paganismo aberto com cara de evangelho, enquanto que, a verdadeira proposta do Evangelho do Reino é transformação de vidas! “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus". É triste, mas a maioria das pessoas religiosas que freqüentam os bancos de serviço religioso é formada por gente rasa, superficial e que não quer se aprofundar nas verdades do Evangelho; quando estão cara à cara com a dificuldade, com o dia mau, se desesperam, ficam à procura de Deus, e se Ele não intervir o povo perde a fé.

Existe por aí afora, um modelo de religião, de espiritualidade que fala de Deus, que usa o nome de Deus, das coisas celestiais, mas que está falida, adoecida. A prioridade do Reino não são posses, mas transformação de vidas, e isso passa também pelo caráter, e para Jesus a vida humana é mais importante do que regras religiosas e supostas espiritualidades.

Hoje vemos as coisas sagradas perderem o sentido, vale lembrar que os maiores opositores de Jesus foram os religiosos de sua própria terra, aqueles que pela lógica não precisariam de milagres para crer, pois já haviam recebido dos profetas as promessas da vinda do Messias. Portanto, eu convido você a uma reflexão, vamos pensar juntos, discernirmos coisas espirituais com espirituais, afinal nas palavras do apóstolo Paulo, nós temos o privilégio de termos a mente de Cristo, façamos então bom uso dela nesse tempo complicado em que vivemos, cuja ética protestante está fora de moda, enquanto que o espírito do capitalismo reina absoluto nas mentes e corações das pessoas.


Ranier Nunes é pastor da Igreja Betesda em Valença do Piuaí

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sábado, 14 de junho de 2008

O imundo mundo do faz de conta

Viva a exploração cínica dos políticos aos pobres em busca de votos!
As obras casuístas, as propinas, o voto dos analfabetos (Renato Russo), a “amnésia política” depois das eleições. O cara que finge gostar de pobres, que sobe o morro sem gravata, vai na vendinha, bebe cachaça, usa lata de goiabada como prato e faz questão de beber água da chuva(Bezerra da Silva) com o intuito de se passar por popular.

Vamos festejar o “Dia de depredações” promovido pela Via Campesina, MST e Movimento Assembléia Geral, (não são todos a mesma coisa não? Sei lá!) A falta de diálogo, a omissão dos governos em todas as esferas. As decisões unilaterais, tanto do governo como dos movimentos ativistas com os olhos voltados para o próprio umbigo, o nosso estado que não é nação (Renato Russo).


Viva os dispositivos corruptos de angariar recursos com a máquina estatal, os “propinodutos”, “as caras lavadas” discursando ante as acusações de fraudes. Viva os inelegíveis se elegendo pelo voto dos esquecidos e dos apaixonados.

Congratulações as facções criminosas que comandam o tráfico de dentro dos presídios, ao crime organizado, às milícias cariocas, à homofobia, aos fazendeiros e donos de madeireira que desmatam a Amazônia, aos torturadores de crianças, de velhinhas e de animais.


Viva a nossa pátria mão gentil, viva o Brasil!(Kim)


Alisson S. de Araújo

Baseado nas músicas; Perfeição, Revolução e Condidato caô,caô de Legião Urbana, Catedral e Bezerra sa Silva

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Nasci para viver.

Ricardo Gondim

Há momentos em que me percebo sedento de luzes, com fome de abraços, carente de cores. Nessas centelhas de instantes imprecisos, sinto-me poeta, artista, violinista. Atraído pela beleza, rasgo as roupas da formalidade e cubro-me com as capas dos românticos. Subo em palcos imaginários, convivo com a boemia, declamo versos geniais, sento em botecos mal iluminados e rio sem motivo.

Também carrego carências que só um Noturno de Chopin pode aquietar. Tenho abatimentos que só serão curados com os olhares mansos dos Rembrandt ou com a delicadeza poética do Rubem Alves. Não adiantam os repiques do Pelourinho, careço de uma flauta doce, de um smooth jazz, de uma Norah Jones.

Nos instantes em que preciso virar a página da tristeza, lavo-me das cinzas com silêncio, troco o pranto por um sorriso gratuito e faço uma festa diferente. Assim, sem mais nem menos, passo a ver prados verdes por entre frestas estreitas de janelas fechadas, ouço trovões num céu nu de nuvens e percebo o ar salitroso do mar longínquo. Afogo a saudade num azul áspero, pinto as fantasias de amarelo e consigo ressuscitar fantasias infantis. Viro alquimista. Aprendo a combinar cores e afugento espíritos amuados. Todo enfado foge. Meu mundo se aquarela: as amizades cobrem-se de fosforescência, as lealdades ganham cor de palha e a paz branqueja ódios antigos.

Deixo que o numinoso me enfeitice porque sinto-me de outro mundo. Nasci para a eternidade. Não me contento em viver, tenho que transcender, criar, transbordar, romper.
Recuso arrastar-me; não gosto de cascas, preciso quebrar os caixotes que me prendem. Sinto-me alazão, águia, pirilampo, sei lá o que; careço de espaços. Atrofio dentro de gaiolas; as cercas me angustiam; as garrafas me asfixiam. Rasgo mapas, corto as cordas das âncoras, não aceito cabrestos.

Viver o medo da surpresa me seduz. Quero o incontrolado, coexistir sem precisar ter domínio, lançar-me na direção do imponderado sem jamais imaginar-me um timoneiro.

Mesmo que o futuro chegue brusco, que o iminente desperte numa piscada, que a morte se antecipe, continuarei brigando. Revoltado com a falta de viço, com a inconveniência da tristeza, gritarei: nasci para viver!



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